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out

Fotografias de si mesmo e outras diabruras

por Nogueira em 06.out.2015 | Tags:  , ,  

Selfie Old School

Não consigo entender certos estranhos hábitos que algumas pessoas desenvolveram com a massificação do acesso à internet, notadamente nas redes sociais — leia-se Facebook.

Um deles e que me parece mais atual, ao menos em ‘minha linha do tempo’ (a qual ainda me refiro sempre como mural), e que é simplesmente bisonha é, no dia do próprio aniversário, o meliante postar uma foto de si ou mesmo um álbum inteiro em poses narcisistas e um tanto ridículas e se dar parabéns pelo próprio aniversário.

Que tipo de insegurança, carência ou necessidade de chamar atenção é essa? E do modo mais tosco possível: com fotos de si mesmo. Me escapa ao entendimento tal tipo de necessidade, afinal, se acessarmos o Facebook, não importa em que horário, em questão de pouco tempo o puto te avisará que fulano, beltrano, ciclano ou seja lá qual for o barnabé que esteja em sua pandilha de miguxos avisará qual está a fazer anos.

Se alguém assim o fizer, faço questão de não cumprimentar.

Por mais que o focinho de uma tipa seja agradável e seu curvilíneo corpo desperte a libido alheia, por fotos de si o tempo inteiro é algo broxante.

E ainda, ao menos em minha mente (e não sei o quanto sou doentio, esquisito ou intolerante), terei a impressão que a pessoa tem algum tipo de transtorno, como o de personalidade narcisista. Enfim, essa cepa de gente parece acreditar que seus amigos, contatos, colegas, conhecidos, vizinhos, inimigos, o Renan Calheiros, a corte britânica, a torcida do Flamengo, o Gandalf, os mujahidin, o palhaço Krusty, o Reino Monera (quiçá o Fungi) e o Satanás (e, porque não, Javé?) orbitam ao redor do seu umbigo. E tudo diz respeito a eles, evidentemente.

E tem, nesse caso, algo bem peculiar: noto que essas pessoas, quando têm gostos em comum, tendem a se reconhecer no outro, ao perceber o que se chama de ‘algo em comum’, enfim, por mínimo que seja, a preferência por um filme xyz, ter um hábito tal e qual, essas bobagens insignificantes — de uma perspectiva objetivante — geram uma empatia tal que cria, a bem dizer, uma laço de afeição aparentemente do vácuo — a maravilhosa capacidade humana de atribuir significados subjetivos se mostra aqui em toda sua força. Mas, para essa canalha narcisista? Oh, não!

Se eles gostam de algo, têm um hábito peculiar ou metas quaisquer que sejam e descobrem que alguém que não eles também os tem, qualquer que seja ele,  pronto, está instaurado um conflito dos mais sangrentos. Eles se sentem menos únicos, se acham vulgarizados em suas opções, escolhas racionais, emotivas, conflitos interiores e o que mais possa vir.  E, como sugerido, creio que esse sentimento seja tudo menos justificável, tudo menos saudável de uma perspectiva inteiramente psiquiátrica, poder-se-ia dizer. Para além de tudo, é deveras antissocial. A recomendação, portanto, ao se notar um espécime assim é, creio, afastar-se e não alimentar seu ego, tampouco entabular qualquer tipo de interação, exceto que se tenha a presença de espírito digna do Dalai Lama e, talvez, do Papa Chico.