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Ah, os fãs.

Ao trabalhar com o público, especialmente quando há aquela saudável distância física e, por isso, não é necessário encarar um focinho desagradável, se tem que lidar com estupidez e ganância alheia. Em profusão e de mãos dadas. E de uma forma completamente sem noção.

Imagine o tipo a perguntar coisas absolutamente óbvias? Ou pedir dinheiro assim, sem mais, sem menos. Como se o interlocutor, sabe-se lá onde do outro lado da tela, se numa casa, escritório, firma de assessoria de imprensa, cyber café, na casa dele ou num puteiro, fosse lá seu chapa de muitos anos.

É assim que começa quando o interlocutor é homem: já te chama de ‘amigo’ no chat. E o sujeito sequer curtiu a página — aparece no cantinho lá se o gajo curtiu ou não e quando o fez. Mas ele vem com papo rasteiro de que é fã de carteirinha. E já vai logo pedindo dinheiro. Ou algum tipo de ajuda, caso não seja possível conseguir dinheiro. (O que nunca acontece, afinal alguém dá dinheiro a desconhecidos assim, de boa?)

Se você gerencia a página de um artista, é provável que o sem noção ficará por cerca de alguns dias, talvez até meses, pedindo alguma forma de ajuda, um endosso do trabalho dele ou enviar discos autografados; gravar vídeos falando bem dele/a ou cantando para ele/ela; pedem para você fazer uma letra, uma música para homenageá-los, do nada também; e escrever na TL dele o quanto você o/a ama!

Essa falta de noção, é claro, vem sempre acompanhada de carência de talentos e sobras em ‘se dar bem não importa como’. O que se pode esperar de uma pessoa que diz, já no primeiro diálogo que ‘te ama’? Ora, minha filha como que é você pode amar alguém que nunca viu o focinho? E na primeira vez que fala com ele? Oxente, é muita falta de noção.

Outras, perguntam se ‘você tem família’. A vontade de responder é ‘não, sou filho de chocadeira’; ou ‘mas é claro que não, meus pais me abandonaram na Febem quando eu tinha seis meses, fui criado num orfanato, nunca quiseram me adotar porque eu era um catarrento feio demais da conta e aí acabei encostado; ou ainda: ‘sou o resultado da primeira clonagem humana da história, feita pelos soviéticos, mas a tecnologia era ainda rudimentar e eu vim com defeito, os russos não quiseram ficar pelo constrangimento de experimento mal sucedido, mas por compaixão me abandonaram no cais do Porto de Santos e acabei criado num bordel’.

Infelizmente não tenho a liberdade de responder a essas pessoas de uma maneira que julgo merecedora. Ao menos, porém, posso escrever sobre.

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por  Nogueira  em  26/05/2017

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