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Sandices veganas, III

Morfologia dos dentes e da inteligência vegana.
Que tal um sebo? Isso mesmo, uma banha? Mas de origem vegetal, claro, pois se diz, não obstante a evolução humana ser uma prova contrária, que elas são mais saudáveis. Afirmação completamente infundada? Se poderia usar como argumento fato dos inuítes ou os lapões, sim aqueles povos que vivem nas regiões Árticas e só comem alimentos de origem animal, quando emigram para a Dinamarca (no caso específico do que habitam a Groenlândia, colônia dinamarquesa) passam a sofrer com a mesma incidência estatística de problemas cardiovasculares que a média a da população dinamarquesa, bem maior que a da população inuíte a residir na Groenlândia.

O problema, pois, para o surgimento de doenças cardiovasculares não é a dieta rica em gordura e proteínas animais (se tenha claro que é uma dieta exclusivamente nessas fontes). Então o problema reside nos hábitos alimentares ocidentais ricos em alimentos industrializados e, claro, no seu componente mais importante: as gorduras vegetais.

Já foi falado aqui que elas passaram ser usadas como substituto para a banha animal no uso alimentar quando o desenvolvimento técnico permitiu sua produção industrial em larga escala. É evidente que a indústria, como estratégia mercadológica eficaz, disse que além de mais barato era mais saudável.

Alguns podem objetar, entretanto, que o consumo das gorduras vegetais vem de longe. Sim, é algo com que se pode concordar. Com um detalhe bastante importante: não tão longe. Entre os óleos vegetais mais antigos estão o azeite de oliveira, cultivado de acordo com o registro arqueológico há cerca de seis mil anos, e o óleo de gergelim, datado de cerca de cinco mil anos atrás.

O seu cultivo está na infância da agricultura. Representa pouquíssimo tempo na escala evolutiva. O primeiro representante do gênero Homo provavelmente passou a saltitar pelos campos há 2,8 milhões de anos; indo-se bem mais adiante, os ancestrais dos Neandertais e Sapiens divergiram provavelmente há cerca de quinhentos mil anos. Os primeiros surgiram por volta de 360 mil anos atrás e viveram até há cerca de 29 mil anos. E eles não conheceram a agricultura. No máximo o que se pode argumentar é que eles eram caçadores coletores. E que a maior parte de sua dieta era de origem animal por eles terem habitados zonas temperadas a frias na Europa durante as grandes Glaciações. E o mesmo vale para os modernos humanos, que começaram dar suas piruetas pela face da Terra há coisa de duzentos mil anos – e existem evidências de que eles se hibridizaram com os Neandertais.

E o surgimento da agricultura é recentíssimo. Dizer que somos projetados para ter uma dieta herbívora a partir desse retrospecto evolutivo é uma sandice absoluta. Alguns veganos costumam comparar a anatomia da dentição humana à de herbívoros modernos, como se isso provasse alguma coisa: apenas os dentes incisivos se parecem, os molares estão postos lá atrás e grande parte deles ruminam, alguns não, mas morfologicamente dizer que os humanos são parecidos com ruminantes é algo bem idiota, afinal de contas humanos nunca ficaram pelos pastos com o focinho rente ao chão cortando grama para comer. Mesmo assim vejo veganos usarem tal semelhança superficial como um trunfo — talvez o da estupidez sobre a ciência.

Aí, a partir do século XIX, precisamente do seu fim e até o momento, o uso de alimentos industrializados e toda a sorte de processos químicos para a confecção de alimentos passou a ser utilizado. É evidente que isso pode originar ganhos, especialmente para população crescente a necessitar cada vez mais de alimentos. Mas também efeitos deveras nocivos, como se vê pelos altos índices de alimentos processados com quantidades cavalares de açúcares e gorduras vegetais processadas. E a vilã é a proteína/gordura animais?

O mais curioso é que a Antropologia prova que o aumento de nossa capacidade em raciocínio graças ao desproporcional tamanho da massa encefálica humana só foi possível por conta do consumo de carne, uma vez que, do ponto de vista nutricional e calórico, ela é muito mais efetiva que as parcas sementes, frutas e raízes que os antepassados humanos desprovidos de uma agricultura poderiam obter. E, há de se notar, que apesar do cérebro ter em média apenas 1,5-2% da massa corpórea consome cerca de 20% da energia.

E vem vegano do alto de sua enorme ignorância dizer que a carne não é feita para humanos. Ah, sim, mas a gordura vegetal interesterificada adicionada às quantidades cavalares de óleo oxidado de palma nos seus sucedâneos altamente processados de ‘queijo’, ‘maionese’ e ‘carne’ o são. Tem-se que dar parabéns para alguém que consegue sustentar tal posição. É de uma ignorância sem par. E, algo encantador, é que os veganos, quando falam com alguém que advoga os alimentos de origem animal dizem histericamente que fulano ou sicrano está assim a defender a indústria da carne.

Claro, os sucedâneos que essa gente põe no bucho são altamente processados, normalmente mais caros como parte de simples jogada mercadológica (mais caro, melhor), os que advogam o contrário defendem a indústria? Essa gente não percebe o ridículo de sua posição, são ao mesmo tempo vítimas ingênuas de uma estratégia simples e da sua própria ignorância.

Para finalizar, ainda na mesma linha do que se defende aqui, existem outras provas que os humanos ainda estão a se adaptar ao próprio desenvolvimento da agropecuária: a quantidade de pessoas com doença celíaca (quando a proteína do trigo lhes é tóxica), alergia à proteína da soja (embora em menor grau) e mesmo a intolerância à lactose são cabais quanto a isso (domesticação do gado leiteiro). Do ponto de vista da evolução são fenômenos assaz recentes. Daí o problema. Agora imagine quando se advoga exatamente uma exacerbação de tal comportamento aliado ainda ao uso de misturas gordurosas altamente processadas?

Um torresmo (frito em banha animal, claro) ou uma maminha na manteiga são, metabolicamente, muito mais adequados ao histórico evolutivo humano.

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por  Nogueira  em  09/10/2015

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