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out

Sandices veganas, II

Vegano picado por cobra venenosa: qual atitude?

Dando seguimento ao que se pretende ser uma pequena série sobre as sandices, obscurantismo e tolices do veganismo, seria interessante notar que os adeptos dessa ideologia costumam dizer que seus alimentos são naturais e que, claro, por isso mais saudáveis.

É sensato tecer um pequeno comentário antes de se seguir aos alimentos naturais veganos ou ao menos a alguns deles que são tidos como essenciais.
Grosso modo, tem sido comum, quando as pessoas se refiram aos alimentos naturais  pensem em frutas, legumes, grãos, hortaliças — preferencialmente de cultivo orgânico e sem modificação genética, os chamados transgênicos ou OGM’s (organismos geneticamente modificados), como se fosse possível ignorar os processo de seleção natural necessários ao surgimento da agricultura.

Se alguém citar carne de boi, frango, porco, etc., elas serão automaticamente tiradas do campo ‘natural’. Os embutidos e semiprocessados, então, muito pior. Presuntos, mortadelas, linguiças, salames, copa lombo, enfim, serão também todos colocados bem longe desse grupo de alimentos naturais e o mesmo será feito em relação aos queijos e alguns outros laticínios, como creme de leite, coalhada, etc., se fazendo, entretanto uma meia exclusão para ‘queijos mais saudáveis’, como se faz no Brasil com o queijo branco tipo minas. Uma outra exceção algo estranha ­— mas não feitas por veganos — acontece em relação aos peixes, misteriosamente eles são mais saudáveis e, claro, ‘naturais’ (como se, também, não se tratasse de animais).

É interessante pensar nessa distinção a qual coloca os animais criados via agropecuária como não naturais. Há os que fazem isso também com peixes criados em fazendas aquáticas. Uma das motivações citadas é que eles usam antibióticos. Ora, é justamente graças aos antibióticos, antivirais, enfim, o desenvolvimento de meios sanitários, médicos e farmacêuticos que humanos não têm uma expectativa de vida média de vinte e três anos como era típico entre o paleolítico e o neolítico. Ao contrário, os humanos vivem muito, passam de sete décadas e alguns vão a um século (e não é incomum que consigam com todos os dentes na boca, ao contrário do desafortunado ser humano do neolítico). E, agora, os humanos põem defeito exatamente naquilo que traz benefícios diretos a ele como antinaturais — e, claro à produção agropecuária. Uma posição no mínima surreal, dada alienação que subjaz a ela.

Sobre o processo de fabricação do Roundup, da Monsanto.

Sobre o processo de fabricação do Roundup, da Monsanto.

Não se está aqui, claro, a se advogar a posição e os interesses de empresas do setor químico, como a Bayer, Basf ou, diriam uns, a perigosa Monsanto com seu herbicida Roundup. Ao contrário, é  inteiramente justificado um controle estrito do Estado, via seus mecanismos institucionais, sobre a agropecuária e de todo o desenvolvimento insumos agrícolas e, onde for possível, encetar as técnicas de produção agrícola orgânicas (as quais não devem ser adequadas a campos de produção que ultrapassam as centenas de milhões de toneladas, como os quase 770 milhões de toneladas de cana-de-açúcar produzidas no Brasil, numa área de menos de 100 mil km² ou as 353 milhões de toneladas de milho nos EUA, ambas em 2012 [ainda que nos EUA haja a ação bastante discutível da Monsanto defendendo cepas de sementes  resistentes ao Roundup, sementes as quais foram proibidas em alguns países europeus, dada a toxidade do herbicida da gigante química]).

Voltando às comidas naturais: o que faz um indivíduo mediano, por mais embotado que seja, imaginar que a carne vermelha, de galinha ou de porco não sejam naturais? Acaso a carne, a proteína animal, enfim, é produzida em centrífugas de enriquecimento de urânio? Quiçá em refinarias de químicas processadas em gigantescas tubulações por onde passam as mais complexas substâncias químicas? Será que um salame, um presunto, uma fina mortadela ou uma saborosa copa lombo são produtos sintéticos originados nas mais insalubres operações industriais?

Não. Ao contrário, são tão naturais quando um pé de alface e, no caso da copa lombo, não parece arriscado dizer que ela é a correlata animal da salada de frutas. E se alguém estiver a pensar que não pode ser, ao menos tenha em vista que o pé de alface, o agrião entre tantas outras hortaliças que são comercializadas nas feiras livres pelo Brasil inteiro provavelmente são cultivados por via hidropônica. É, aquele pé de verdura com aspecto tão fresco e vicejante provavelmente nunca esteve na terra na vida. Ao contrário da maior parte do gado bovino brasileiro, que é criado em pastos, com pouco uso de agentes químicos para controle de doenças, a técnica de cultivo é bem avançada e dependente do desenvolvimento de recursos técnicos. O mesmo, no entanto, não pode ser dito sobre as variedades de criação intensiva, onde os animais são confinados e as condições são insalubres e dependentes de práticas que deveriam ser combatidas.

Não são, porém, os processos industriais por si que estão em relevo por aqui. Ao contrário seria a pretensa ‘naturalidade’ que os veganos advogam em seus alimentos e o fato deles serem mais saudáveis.

Uma alimentação saudável não deveria ser complementada por suplementos nutricionais. Entretanto, se alguém mantém uma alimentação estritamente de origem vegetal, ele deverá usar suplementos, notadamente de vitamina B12 e, provavelmente ferro, pois as fontes de origem vegetal não são suficientes.

Porém, alguns advogam que isso nem sempre é necessário, pois parte desses alimentos são enriquecidos. Volta-se, portanto, ao fato de que para um alimento ser enriquecido, ele deve ter adicionado aos seus componentes ingredientes sintéticos, no caso os minerais e as vitaminas que uma dieta estritamente herbívora, por ser naturalmente menos nutritiva que uma onívora. Então já se trata de um alimento processado e num grau igual ou maior que um presunto, uma copa lombo ou um queijo provolone.

Se verá, porém, que a coisa é bem pior dada a insuficiência da dieta herbívora para humanos, animais onívoros.

E ela é bem ilustrada pela enorme coletânea de sucedâneos, imitações das mais variadas de produtos de origem animal (carne vegetal é, sem dúvida, um dos mais divertidos). E se alguém vier a dizer que eles são ‘naturais’ merecerá não mais que um riso de escárnio sincero.

A dieta vegana com tais ersatz como é vista hoje só se tornou um possibilidade objetiva no século XX graças a processos industriais e agrícolas que foram desenvolvidos a partir do meado do século XIX.

Cristo, primeira banha vegetal vendida nos EUA.

Primeiro tipo de gordura vegetal hidrogenada, Crisco, fabricada pela Procter & Gamble a partir do fim do século XIX.

Dito de outra forma, o abandono do uso das gorduras de origem animal na alimentação humana só foi possível graças ao desenvolvimento do processamento de gorduras vegetais hidrogenadas (as chamadas gorduras trans), tidas à época como mais saudáveis — algo que elas não são e que levaram à proibição ou ter seu uso assaz reduzido em alimentos industrializados.

Então, apenas de início: usar gordura vegetal só é possível com o auxílio de técnicas industriais e o seu uso em alimentos como o ersatz ‘queijo vegano’ só o é possível através de processos de formulação ainda mais complexos. De forma mais clara: os sucedâneos para queijo e tantos outros alimentos são tidos pelos nutricionistas como ultraprocessados.

E são exatamente estes que, costumam dizer os nutricionistas, devem ser evitados. Mas a bizarrice dessa dieta vegana não para por aí. Somente a partir da década de 1960 foi possível a obtenção da proteína vegetal texturizada — que, com esse nome, não obtida por vias naturais, como por exemplo um queijo, os quais são fermentados por bactérias e fungos não sendo, pois, sintéticos na sua forma.

E o processo de obtenção da proteína texturizada de soja — e que pode ser aplicado uma variedade maior de vegetais (sementes de algodão, trigo, aveia, milho, etc.) — se chama extrusão termoplástica, nome bem adequado para algo que, efetivamente, não é natural. E, o que é no mínimo estranho, o processo costuma usar hexano, que é um hidrocarboneto tóxico presente na gasolina, embora esteja nos alimentos processados em níveis inócuos. Porém, é deveras é curioso e até divertido que um hidrocarboneto extraído a partir do petróleo faça parte de alimentos vegetais, dado que se  convenciona dizer que o petróleo tem origem biótica, o que pode incluir seres de origem animal.

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por  Nogueira  em  06/10/2015

2 Respostas para “Sandices veganas, II”

  1. Anônimo Disse:

    Você é algum tipo de idiota?

  2. Nogueira Disse:

    Sim, um de menor envergadura que, talvez, você.

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